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É à Sombra Da Cruz Que Nascem As Grandes Obras!

Dizia o fundador da família salvatoriana, Pe. Francisco M. Cruz Jordan, que “as grandes obras florescem à sombra da cruz”. A cruz é símbolo de sofrimento e o maior deles vivido por Cristo ao morrer inocente numa cruz. O sofrimento faz parte da experiência de cada um. Todos sofrem por algum motivo, doença, perdas, problemas pessoais aflitivos, abandonos, carências e muitos outros tipos. Podemos dizer que há sofrimentos que são de nível  pessoal, individual. Mas, há aqueles que atingem um grande número ao mesmo tempo. Famílias inteiras, cidades, países e mundo inteiro. Há sofrimentos coletivos em que todos sofrem.

Contudo, como diz P. Jordan, grandes obras nascem à luz de sofrimentos! É disso que quero falar agora. Se olharmos para a pandemia provocada pelo covid-19 vemos o mundo todo envolvido em sofrimentos. A doença desestabilizou o planeta terra, matou muita gente e ainda continua. Mesmo aqueles que ainda não foram atingidos e talvez nem o sejam, sofrem das consequências advindas dessa situação nova que o vírus criou. Há controvérsias como se originou o tal vírus, sabe-se que foi lá na China onde os primeiros casos apareceram. Foi atribuído ao consumo de carnes de animais contaminados, outros disseram que foi um vírus fabricado em laboratório. Talvez um dia vamos saber a verdade! O fato é que sua aparição gerou todo esse tumulto que estamos ainda vivendo. Como disse trouxe sofrimentos de toda ordem, de saúde física, psíquica, econômica, estruturais, globais.

Examinemos agora que “grandes obras” nasceram dessa experiência. Entre elas uma está sendo bem evidente para todos. Fomos obrigados a reaprender a lidar com a vida de um jeito que não estávamos habituados. Ficar em casa levou a vários aprendizados, como lidar com o tempo que se teve à disposição! Como lidar com as relações com os outros à distância, aprendemos novos cuidados com a saúde, até um jeito mais adequado de lavar as mãos, o manejo das coisas do dia a dia, mantendo distanciamento… Um grande aprendizado certamente foi o do uso da mídia. Ele que serve para tudo, para fins bons e maus, foi de modo especial o veículo para manter os vínculos com familiares distantes, com pessoas de nossas relações. Os “lives” explodiram em todas as direções, levando informações, entretenimentos, cultura, educação, aprendizados novos. As reuniões virtuais cresceram enormemente, facilitando os contatos, planejamentos, decisões. Até aqueles que nem se quer imaginavam precisar utilizar desses recursos foram envolvidos e tiveram que aprender como se virar com eles. Para os jovens isso não foi nenhum problema, pois habituados que estão com o manejo desses recursos, envolveram-se neles mais do que já estavam. Os de meia idade e acima precisaram pagar um preço por esse aprendizado, manusear aparelhos, aprender uma nova linguagem, familiarizar-se com “meet google”, com “zoom meeting”, com vídeo conferência, com post, com internet, WhatsApp e dai afora. Ninguém imaginava uma revolução tão grande, em tão pouco tempo. Já vamos nos acostumando a falar “naquele tempo” referindo-se ao ano passado, quando as coisas funcionavam de outro jeito. Ninguém vai sair “ileso” dessa pandemia. Grande mudanças estão ocorrendo e vão ocorrer.

Podemos dizer então que a “profecia” de Pe. Jordan se concretiza em nível pessoal e coletivo, pois o sofrimento causado pelo vírus fez nascer muitas coisas novas e úteis.

A propósito, Pe. Jordan foi responsável junto a Deus pelo milagre obtido por um casal de Jundiai, cuja filha nascitura estava condenada a nascer disforme e problemática, e no entanto, pela intercessão de Pe. Jordan, nasceu perfeita no dia em que se celebrava  a morte dele. Tal milagre ocasionou a declaração da Igreja, reconhecendo o fato e levando Pe. Jordan à Beatificação que será no dia 15 de maio de 2021. Um santo para o nosso tempo de pandemia, ele que pagou em vida, um preço alto em sofrimento para ver sua obra crescer e se tornar “lugar” e missão para a família salvatoriana, que hoje espalhada no mundo todo, leva a mensagem do evangelho como resposta a todos os sofrimentos.

Podemos concluir então que é verdade, a experiência de cada um, comprova, que “à sombra de grandes sofrimentos” nascem grandes esperanças e vidas renascidas.

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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