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Há plantas que quando florescem seus galhos ficam cheios de flores, só flores! Uma dessas plantas é o ipê. Observando os ipês se nota que  antes de florescerem eles se desfazem de todas as folhas, elas caem, morrem. As flores começam a aparecer em abundância, e se tornam tantas que o pé fica num colorido só. Todo mundo que olha fica maravilhado. Há ipês que dão flores brancas, outros amarelas, outras roxas. Não sei se há outras variedades com outro colorido. Ipê amarelo não dá flor roxa, nem o roxo dá flor branca. Não sei se o amarelo sente ciúmes do roxo ou o branco tem inveja do outros dois. Há outros momentos em que os ipês só têm folhas, nenhuma flor, ou só galhos, sem flor e sem folhas. Cada ano eles seguem esse ritual, vivem cada estação com muita intensidade. Há anos que só dão folhas, não dão flores. Se os galhos secarem ou se separarem do tronco, aí o pé morre e pronto! Acabou não tem mais história para contar no ano seguinte.

Fico pensando o que os ipês podem dizer a respeito da vida das pessoas. Nós somos um pouco parecidos com os ipês, nossa vida tem seus ciclos. Há momentos em que mostramos nosso lado bonito, encantador, aquilo que as pessoas gostam de encontrar numa pessoa. Não precisa ser igual ao outro, é só se mostra do jeito que é. Ipê roxo é roxo e é assim que ele é bonito. Há pessoas que não se conformam com as características que possuem. Morrem de inveja ou ciúmes dos outros, das características que os outros têm e não amam as próprias. Essas pessoas se tornam infelizes porque não desfrutam com intensidade os momentos que a vida lhes oferece, ficam só olhando o que os outros têm e elas não têm. E por isso ficam tristes, não gozam do belo que têm e nem aceitam que há momentos em que o belo parece desaparecer. Sim, porque há momentos em que as estações não produzem porque é tempo de se reciclar, desfazer-se das coisas velhas para dar lugar ao novo que vai nascer. Às vezes, aparece alguma doença, outros momentos algum projeto que não deu certo e muita gente vive como se a vida tivesse encerrado seu ciclo. Não suportam à espera da próxima primavera, se recusam a viver os momentos de outono, quando as folhas caem. Não percebem que mesmo sem folhas conservam a seiva que está gestando novas flores, novas folhas. Querem tudo na hora, de pressa, e se não vier perdem a capacidade de gerar novos planos, sonhar novos ideais. Se assim se comportam vão se assemelhar aos ipês que secam seus galhos, que não se recuperam mais e acabam sumindo e, aí sim, a vida perdeu o sentido de ser. Não mostra mais sua beleza, sua vitalidade, seu ciclo de renovação. Ipê que é ipê gosta de viver cada ciclo com intensidade, gente que é gente deveria gostar disso também!

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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