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Discernir é Preciso

Estamos em pleno inverno no que diz respeito às estações do ano. Inverno é tempo de frio. Essa é a expectativa, mas do jeito que as coisas andam até o tempo traz surpresas. Nem sempre inverno faz frio. Isto também ocorre no cotidiano da vida. Tem-se expectativas sobre o presente e nem sempre elas ocorrem. Há muitas intempéries que interferem no cotidiano das pessoas. O mundo muda muito rápido e não temos tempo para absorver tudo o que de novo acontece. Essa pressa das novidades atrapalham o ritmo de quem quer ter uma segurança no seu agir. Diante de tanta novidade fica-se perdido sem saber qual o rumo a tomar. Por um lado não dá para impedir que as coisas aconteçam achando que elas não nos afetam. Por outro lado o ritmo acelerado impede que se dê conta de tudo. Resta a opção de fazer escolhas preferenciais. Nem tudo o que é oferecido, mesmo com imagens atraentes é útil e necessário.

Discernir é preciso. Para discernir precisa-se de critérios e eles devem estar vinculados ao que se quer e espera para vida. No atropelo das situações podemos nos enganar facilmente quando nos deixamos levar pela primeira impressão, segundo o ditado é a que fica. Para se ter alguma garantia de se pôr a vida no caminho certo é preciso basear-se em valores que vão além do imediato.  Onde encontrar tais valores? Necessário se faz olhar para o passado analisando a experiência já vivida, estar atento ao presente naquilo que está oferecendo e distinguir o que vale a pena e o que não, mirar o futuro para se saber para onde se vai. Os valores que sustentam a vida e lhe dão consistência são aqueles ligados a experiência do passado enquanto mostram tradições sadias cultivadas pelos ancestrais, sem contudo ser necessário repeti-los tal e qual, mas extrair delas os ensinamentos que as perenizam. Para o presente exige-se discernimento entre valores e contra valores propostos. Para o futuro aqueles valores que ultrapassam o aqui e agora e apontam para uma vida com sentido.

Alguns valores que valeram no passado, valem no presente e inspiram o futuro pode-se elencar entre eles: o cultivo da amizade, da boa vizinhança, de relações de proximidade, de compaixão e solidariedade. Há aqueles valores que são de ordem espiritual como os indicados pela fé, pela espiritualidade, pela crença em Deus, por valores que transcendem.  É preciso discernir em relação às práticas religiosas, nem todas são sadias. Há aquelas que iludem e se desviam do verdadeiro Deus mesmo que praticadas com boa intenção. Há práticas que  simulam ações de Deus escondendo outros interesses particulares. Pensa-se que se pode manipular Deus com exorcismos e gritos contra o demônio, submetendo as pessoas ao medo e ao desespero. Alívios momentâneos causados pela liberações de emoções reprimidas interpretados como milagres são altamente enganadores e propícios para submeter as pessoas a crenças em um Deus falso.  O Deus verdadeiro não se submete a manipulações e nem está à mercê de interesses escondidos em subterfúgios de quem se auto proclama porta voz de Deus. A palavra de Deus na bíblia contem sim a verdade dele emanada, mas não pode ser interpretada a bel prazer para justificar interesses escusos e manipulações emocionais.

Hoje mais do que nunca no bombardeio diários de toda espécie, é preciso discernir entre as ofertas, sejam elas de produtos de consumo, sejam elas de “produtos” espirituais. Não podemos nos iludir porque é inverno, logo haverá frio. A realidade revela que até mesmo as estações climáticas sofrem influência dos desmandos humanos. Embora ela mantenha seu ritmo e todo o ano o calendário vá mostrar os dias da mudança de estação, nem sempre elas vão realizar o que as expectativas sugerem. Discernir é preciso.

Pe. Deolino P. Baldissera, sds
Pároco

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