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Foto: Andrea Piacquadio – Pexels16

Há pessoas que não conseguem dizer não a nenhum pedido que lhes seja feito. Possam ou não possam, tenham tempo ou não, de qualquer maneira sentem o imperativo “tenho de fazer o que me pedem” senão me sinto culpado!

O que desejo tratar aqui, não é um incentivo a alguém para tornar-se egoísta e só pensar em si e em seu bem, mas sim analisar porque muitas pessoas se sentem assim tão pressionadas quando solicitadas, que não conseguem dizer não, mesmo quando objetivamente não poderiam atender aos pedidos que lhe são feitos.

Em muitos casos trata-se certamente de um vínculo inconsciente que a pessoa assumiu, associando ao seu valor enquanto pessoa, satisfazer as expectativas dos outros. Por isso negar um favor ou um pedido seria motivo para ela se sentir culpada diante da possibilidade da pessoa não gostar mais dela e perder assim apoios e/ou afetos que são importantes como provas de seu valor.

Frequentemente isso acontece porque a pessoa “pensa” que os outros não seriam capazes de amá-las se não fizer algo por elas em retribuição.  Na verdade, se sente no dever de “pagar” o que recebe e se não o fizer estará em débito e não se perdoará se o outro mostrar algum ar de desapontamento. Vê-se então julgada pela própria consciência como culpada e daí despertar a própria raiva sobre si mesma por não ter feito o que lhe pediram. O paradoxo é que se fizer, fica com raiva por que fez a contragosto, se não faz se sente mal. Em ambas as situações recaem sobre si as consequências e um círculo vicioso se estabelece.

Convém conscientizar-se de que não é necessário comprar o afeto ou o reconhecimento dos outros à custa de favores e prestações de serviços. Tais pessoas têm dificuldade de se aceitar como são com suas limitações. Não ser serviçal é sinônimo para elas de ser mau. E sendo mau não pode mesmo merecer consideração e amor de ninguém. Inconscientemente estabeleceu seu veredicto, “devo sempre atender aos outros, custe o que custar, só assim serei merecedor de respeito e admiração!” De certa forma quer negar sua condição humana e prefere iludir-se de que é perfeito e onipotente. Há casos em que essa condição vem por uma educação que recebeu, “vale pelo que faz ou produz”.  Outras vezes, porque estaria dando motivo para alguém não gostar mais dela e isso lhe causar muito desgosto angústia e sofrimento.

Ver-se sempre na obrigação de atender todos os pedidos que lhe fazem sem discernimento é confessar aos outros que sua dependência é tal que por si só não é capaz de manter-se de pé sozinho. Precisa contar com apoios sempre, e uma das formas é estar sempre disponível, pronto para atender a todas as solicitações! Seu ganho é evitar assim a culpa, mas em contrapartida se sobrecarrega e faz das tripas coração para dar conta das coisas que assume.

Não precisaria de tanto se soubesse estabelecer algum limite para os outros e aceitar os próprios. Alimentar a falsa ideia de “bonzinho”, “boazinha” porque atende a todos a qualquer hora e sem nenhuma condição é candidatar-se a ser um eterno dependente, cheio de inseguranças permanentes e preocupações desgastantes e desnecessárias. Para essas pessoas a condição é “se digo não me sinto culpado”!

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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