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Quando se viaja pelas rodovias, lê-se nas carrocerias dos caminhões: mantenha distância”! É uma norma que ajuda a evitar acidentes e não pôr em risco a própria vida. O motorista atento observa isso e viaja mais seguro!

Essa regra vale para outras situações. Agora nesse tempo de pandemia uma das regras básicas é “manter distância”, porque isso pode evitar o contágio. Fazemos fila para a farmácia, para o supermercado, para o banco, para a loja … Mas temos outros distanciamentos que podem ser úteis, nesse tempo em que tantas pessoas precisam de ajuda.

Manter distância é necessário também nas relações interpessoais, sobretudo quando se quer ajudar alguém que lhe expõe os problemas que o aflige e para os quais não tem ainda saída. Com facilidade podemos entrar em empatia com a pessoa que sofre  e sermos envolvidos pela nossa compaixão. E em nossa compaixão para com ela, nos confundirmos com os seus problemas. Seus sofrimentos podem despertar nossos sentimentos e a sua dor nos contagiar tanto, a ponto de perdermos o controle sobre a situação, nos sobrecarregarmos com os seus sofrimentos e não saber distinguir entre os problemas que ela apresenta e a pessoa que ela é. Nisso reside o perigo: tratar a pessoa e seus problemas como se fossem uma coisa só. Por isso é necessário aprender a distinguir as coisas, separar o que é o problema, daquilo que a pessoa é!

Como regra geral vale dizer que a pessoa é sempre maior do que seu problema. Mesmo porque ela nasceu antes, os problemas apareceram depois! Portanto, embora seja difícil, ela está em condições de enfrentá-los, pois, se não o fizer, ela é quem vai sofrer as consequências. E de um jeito ou de outro, vai depender dela sair deles (problemas) ou continuar com eles. Daí que, quem quiser ajudar o outro a encontrar solução para suas dificuldades, não pode envolver-se nas emoções do sofredor e carregar-se dos mesmos sofrimentos. Seria não mais uma pessoa com problemas, mas duas com os mesmos problemas e sem a solução adequada. Isso não quer dizer que se deva ser insensível. Ser capaz de compadecer-se é um dom, porém, isso não significa entrar na dor dele e absorvê-la para si. Aliás, Jesus o mais compassivo de todas as pessoas, quando alguém vinha apresentar-lhe um problema, compadecia-se. Dava toda atenção, curava, ensinava, mas não levava o problema da pessoa consigo. Mantinha distância entre o problema e a pessoa, separava uma coisa da outra.

Em outras palavras é necessário como diz o ditado: “convém distinguir a criança da água de seu banho”, isso significa dizer, ao jogar fora a água usada  não jogar a criança junto!

Lidar com os problemas emocionais dos outros requer esse cuidado: manter distância! Assim se pode efetivamente abrir novos horizontes para que a pessoa saia do círculo vicioso em que seus problemas a enclausuraram. Isso que vale para os outros vale também para cada um de nós quando se quer encontrar respostas para os próprios problemas. Primeira atitude é não se confundir com eles. Tomar distância ajuda a vê-los com mais objetividade, possibilitando respostas mais realistas e isso permite manter também mais controle sobre si e seus sofrimentos.

Manter distância eis um segredinho que pode ser útil em muitas ocasiões, não só nas rodovias e na pandemia, mas também, ao longo do caminho que a vida vai percorrendo! Por isso mantenha distância, para poder estar muito próximo de quem o procura para buscar alívio em seus sofrimentos!

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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