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Todos nós sabemos que a vida começa com um ato de amor entre duas pessoas, o pai e a mãe. (Assim deveria ser!). É na experiência do amor entre essas duas pessoas que a criança vai aprender a amar. É sabido hoje pela ciência genética que todas as células do corpo humano mudam mais ou menos a cada 8-9 anos. Biologicamente, portanto, não somos os mesmos que nascemos enquanto continuidade de células.  Contudo, mesmo que nossas células sejam outras de tempos em tempos, há algo em nós que vai permanecendo. Uma das coisas que permanece é o amor que vamos experimentando. É certo também, embora, sejamos a mesma pessoa na identidade pessoal durante a vida toda, vamos nos tornando diferentes à medida em que vamos integrando novos elementos e novas experiências da realidade pessoal e da histórica que vivemos. Falando da afetividade, podemos dizer que ela segue um processo de amadurecimento e vai adquirindo características específicas nas várias idades pelas quais passamos. Para cada momento da vida ela assume expressões próprias. É assim que, do 0 aos 2-3 anos, os primeiros vínculos afetivos são estabelecidos com as pessoas significativas para a criança, de modo especial os pais e também irmãos, em seguida os coleguinhas de convivência e brincadeiras. Afetividade na criança se caracteriza nesse período pelo amor filial. O mundo dela é o mundo familiar (pais). Se suas necessidades afetivas são bem supridas pelos pais e as pessoas que a cercam, ela adquire a certeza de que o mundo lhe quer bem e ela é benvinda e desejada. Aos poucos irá amadurecendo a convicção de que pode dar-se também gratuitamente aos outros sem receios. Será capaz de suportar até mesmo frustrações sem perder a capacidade de estabelecer vínculos afetivos saudáveis e duradouros com os outros. Essa experiência afetiva inicial será um dos fundamentos para mais tarde, como adulto, aprender a estabelecer com Deus uma relação de amor filial. Nesses primeiros anos a criança tem um vínculo afetivo de tipo egocêntrico. Egocêntrico quer dizer voltado para si. Nessa fase é natural que seja assim, pois precisa assimilar a experiência de sentir-se objeto do amor dos outros. Depois que fortalecer esta certeza terá condições de abrir-se para o amor heterocêntrico, isto é, voltado para o outro, que será  condição para realizar-se como pessoa na convivência social. Pode-se dizer com segurança, que esses primeiros anos de vida, são decisivos para o futuro adulto. Se a criança não encontrar um ambiente favorável para esse desenvolvimento saudável de sua afetividade ela será com muita probabilidade uma candidata à infelicidade e à amargura pela vida afora, faminta de afeto, desenvolvendo vínculos de dependência afetiva que a farão gastar suas energias na busca disso, sobrando pouco para viver por causas maiores. Daí a importância e responsabilidade dos pais no sentido de favorecer esse desenvolvimento equilibrado, oferecendo à criança um ambiente favorável a esse processo evolutivo. Pais que se preocupam demais com o futuro dos filhos pensando, apenas, na conta bancária que vão dar de herança para eles,  em detrimento do tempo que deveriam dedicar-se ao cultivo dos laços afetivos, no futuro vão lamentar o equívoco que cometeram. Os filhos saberão compreender os pais que não puderam deixar uma poupança bancária, mas dificilmente perdoarão por não terem recebido aquilo que mais precisavam: o afeto e o carinho! Os filhos poderão ser ricos em posses e até mesmo bem formados culturalmente, mas, mesmo assim, serão infelizes se não aprenderam a amar! Dê o afeto que seu filho/a precisa no início de sua vida, e você estará preparando uma pessoa realizada no futuro, rica na convivência com os outros e capaz de prover os bens materiais que precisará para viver! Criança pequena não entende amor à distância nem virtual, quer presença sensível.

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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