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Nesse tempo incerto de pandemia todo mundo fica na expectativa do que vai acontecer no dia seguinte! Ouvem-se notícias no rádio, na tv, na internet, em 90 por cento delas,  fala-se da pandemia. Um vírus  nunca foi tão conhecido e tão falado como esse! Quanta preocupação ele gera na vida de todos. Coloca a vida dos países em função dele! Governos, negócios, economia,  laboratórios. Os “hospitais”, de certa forma, tornaram-se o centro do mundo! O vírus virou o mundo de ponta cabeça!  Poderíamos perguntar, nessa complexidade toda, onde cada um de nós se encontra?!  o que vai em seu coração? O que se passa nele enquanto você vive esse tempo de espera? Cada um responde por si, tem a sua própria experiência! Mas é possível imaginar que há algo em comum que afeta a todos.  Fomos atingidos em cheio por essa situação que ninguém imaginou e nem esperava. O fato é que de repente nos vimos envolvidos e incapazes de ter uma resposta segura. Simplesmente nos tornamos vítimas, reféns do Coronavirus, mesmo sem tê-lo contraído (ainda!) Seus efeitos estamos vivendo na pele. Ele nos fez mudar de hábitos a contra gosto, obrigando-nos a ficar em casa! Quem desejou isso? Obrigou-nos a adaptar-nos a uma nova rotina. Não somos mais livres de sair do jeito que saíamos antes e ficamos encurralados. Tivemos que deixar tanta coisa de lado que antes era necessária! Tivemos que mudar projetos que tínhamos, muitos deles cancelados, outros adiados para quando der. Mexeu com nosso modo de pensar a vida, mudamos de foco. Novas perguntas surgiram, algumas sem resposta ainda, outras a resposta nos  obriga a pensar diferente. Ficamos mais atentos às coisas, fomos obrigados a refletir mais e meditar. Recebemos informações de todos os tipos, algumas boas e necessárias, outras falsas que querem confundir e não esclarecer. Muita gente aproveitando para desabafar suas mágoas, frustrações,  jogando a culpa em cima desse e ou daquele. Diz-se  coisas sem nexo, afirmações que não passam pelo crivo da verdade, manifestações fanáticas e insensatas quando analisam a realidade. É um mundo confuso que traduz um pouco aquilo que anda no coração de cada um. Diria, é uma expressão do medo escondido, de quem confiou demais em si mesmo e esqueceu que somos limitados e dependentes uns dos outros. Há também palavras sábias e encorajadoras que orientam e acalmam os espíritos. A pandemia desestruturou o mundo e é preciso reorganizá-lo e viver o depois de forma diferente, porque muita coisa mudou e está mudando no modo de perceber a vida.  Todos temos que nos preparar para nos adaptar ao estilo de sociedade que vai surgir.

Se olharmos pelo lado da prática religiosa e vivência da fé, fomos desafiados a mudar rotinas, criar novas maneiras de vivê-la. O que fazer, por exemplo, com o desejo de ir à missa e não poder? De ter que ficar em casa e descobrir um jeito para rezar e manter as devoções ou descobrir razões mais profundas para manter-se na fé? Muitos questionam a Deus por isso que está acontecendo, mas Deus não responde diretamente, temos que discernir nos sinais que existem. Ficamos um pouco na área do mistério porque não temos segurança em nossas interpretações.

Poderíamos até chegar ao exagero de dizer que o Coronavirus é uma “graça” porque só assim a loucura em que se vivia antes dele parou ao menos por algum tempo. estávamos indo para o caos, e, não percebíamos! Poderíamos dizer que as pessoas que morreram  (morrem) por causa do Coronavirus são uma espécie de “mártires” porque se não fosse assim, ninguém ia se importar com uma gripezinha qualquer.

Os mártires sempre suscitam coisas novas! Temos visto tantos gestos de solidariedade e desprendimento, características humanas que andavam meio esquecidas. A solidariedade torna o mundo melhor, mais humano e feliz. Antes a preocupação para ser feliz era ter! agora a felicidade chega quando se dá! No rosto das pessoas que  foram (são) solidárias aparecem expressões de felicidade!

O Coronavirus em certo sentido é um mistério que apareceu e mexeu com todo o planeta terra. Trouxe muitas desgraça, mortes, mas também favoreceu muitas coisas boas, como a diminuição da poluição, a descoberta de novas formas de comunicação, de entretimento, de vivência familiar. Há o ditado que diz: “Há males que vem para o bem”! Seria esse o caso!?

Tivemos que descobrir um novo jeito de comunicar afeto às pessoas que se quer bem! Antes era o abraço, o beijo, o carinho, o toque, agora manifestar amor por elas é ficar longe delas para preservá-las. Inverteu-se a lógica!

E daí o que vai em seu coração?

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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