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Esse tempo de isolamento está trazendo para todos nós uma vivência nova. Nunca tínhamos passado por isso! Não tínhamos “know How” a respeito dele. É a primeira vez que isso acontece! A primeira vez sempre gera insegurança, somos inexperientes, temos que aprender a lidar com o novo!  Essa pandemia atingiu nosso mundo interior e afetou a todos, ricos e pobres, ninguém escapou da possibilidade de ser atingido pelo corona. Essa situação provocou um estado de espírito também de alerta, de certa forma nos “desequilibrou” emocionalmente. Antes já estávamos habituados com nosso jeito de lidar com nossos problemas, bem ou mal, íamos convivendo com eles. Agora essa situação nos colocou diante de uma experiência totalmente diferente que trouxe como consequência emocionais muita insegurança, ansiedade, desconforto, estresse, tensões. Estamos entediados dessa situação que não tem dia para acabar. Parece que o mundo ficou estranho. “Se fico em casa, fico pensando por que não posso sair quando tenho vontade?” Se saio para a rua vejo as pessoas “mascaradas”, sem conversar livremente uns com  os outros. Agora para tudo tem fila! Antes só tinha nos bancos, agora é na farmácia, no supermercado, na loja. Prá tudo tem fila! Temos que “ficar em casa” e quando saímos temos que nos “enfileirar”.  Nas filas, fica todo mundo calado, parece até que a vida parou! Há uma sensação estranha de um mundo diferente! A vida normal parece anormal! Parece que todo mundo entrou numa prisão e está esperando pelo dia da libertação.

As falas sobre o Coronavirus quase saturaram! Não há um santo dia em que esse assunto não esteja em evidência. Todos nós nos envolvemos nos comentários sobre ele. Ele virou protagonista em nossas conversas. Nosso emocional foi atingido em cheio, no meio dessa história toda. Até nossos próprios sentimentos não são mais puros como eram antes! “Minhas alegrias parecem que ficaram meio “tristes”, não se expressam tão à vontade como antes; minhas raivas parecem que ficaram mais fortes; minha afetividade mais carente; meus sentimentos de compaixão misturados com aflição; meus medos maiores do que eram; minha paciência mais curta; minha irritação mais azeda; meus  vazios mais ocos; minhas dores mais doídas; meus pensamentos mais dispersos; meus autocontroles menos seguros! Minha insegurança se tornou uma companheira que não me larga; a ansiedade fica consumindo minhas energias, me deixando mais frágil e dependente; meu humor ficou mais instável. Esse tempo de isolamento que se prolonga, parece eterno; minhas ocupações parecem não preencher meu tempo!? Que mal estar é esse?! que situação esquisita essa que experimento?!”

Essa situação toda, mexeu com minhas bases, me deixou mais exposto e vulnerável! Me pergunto, meu Deus, quando tudo isso vai acabar? Me vejo como o salmista quando rezava o salmo 130. Lá o inimigo era outro, aqui é o covid-19. Esse é o inimigo que nos persegue e nos aflige, é ele que precisa ser afastado.

Todavia, tudo isso tem seu lado bom! É uma experiência nova que vai me ensinando outro jeito de pensar a vida; estou me treinando para suportar, no futuro, outras situações novas que  ocorrerem, com menos ansiedade. Está me ajudando a valorizar mais as coisas que antes eram insignificantes; estou aprendendo a ter mais apreço pelas amizades e a importância dos outros em minha vida. Vou sair mais tolerante com as fraquezas dos outros; estou me exercitando em ser solidário, estou aprendendo a cuidar melhor da vida; minha experiência com Deus tem se fortalecido, “porque nele está meu refúgio e salvação” como diz o salmista (Sl 91,2). Estou renovando minhas utopias, minhas esperanças, vou contar com elas na próxima etapa, depois do Coronavirus. Tenho fé em nós, seres humanos, que somos capazes de nos converter de nossas práticas desumanas. Creio num mundo diferente e melhor. Não é possível que depois de todo esse sofrimento vamos continuar os mesmos, como se nada tivesse acontecido, teimando e voltando ao nosso mundo de antes! O sofrimento também nos ensina, nos educa, oxalá sejamos bons alunos!

Enquanto, ainda vivendo o isolamento, vamos nos exercitando em lidar com nossas emoções, sabendo que elas fazem parte de nossa vida, sem elas já estaríamos mortos. Mesmo que o covid-19 as tenha abalado um pouco, ainda nos mantemos com o senhorio sobre elas. Nossos sentimentos continuarão sendo expressão de nossas vivências. Eles também nos ajudarão a sermos pessoas melhores, apesar dos sufocos que tenham nos proporcionado, nós os retemos como marcas de nossas vidas. Que eles continuem vivos em nós, assim saberemos que o vírus não os matou, e eles continuarão sendo parte de nossa existência! Respondendo à pergunta do título deste texto, podemos dizer que nosso emocional está sim meio abalado, mas não ao ponto de nos fazer desistir da  luta por uma vida melhor,  nossas emoções são nossas aliadas!

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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