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Cada um de nós se identifica por uma palavra chamada de “EU”. Esse eu (self) nós o usamos para nos distinguir dos outros. É uma auto referência que nos faz únicos e diferentes. Para melhor compreensão do nosso “EU” vamos dividi-lo em partes, apenas para efeito de reflexão, pois nós funcionamos de forma holística, isto é, como um todo. Quando uma parte de mim se manifesta é o todo que se manifesta. São Paulo já dizia: “se meu dedo dói, todo meu corpo sente”! Vamos agora examinar a relação com o Coronavirus em nossos diferentes aspectos do eu. Vamos pensar o eu fracionando-o em quatro partes. O EU CORPO, O EU PSIQUICO, O EU RACIONAL E O EU ESPIRITUAL. Como essas partes reagem quando se deparam com o Coronavirus:

EU CORPO. Eu enquanto corpo fica exposto ao vírus, aliás é seu alvo. Por isso é  preciso ficar distante dele. Tomar precauções como isolamento, lavar bem as mãos, usar máscaras etc.  O vírus embora pequeno tem força de se multiplicar rapidamente. Só num expiro milhares deles saem voando infectando uma área de alguns metros quadrados ao seu redor. Manter distância  do expirador afetado é protetivo. Se o corona entra nas vias aéreas aí ele pode causar a doença  que vai afetar os pulmões, podendo comprometê-los a tal ponto de sufocar o sujeito e impedir a livre respiração e o eu corpo pode morrer  e com ele tudo o resto. E o último ato é a sepultura desacompanhada das pessoas queridas ou então elas ficarão tristes à distância.

O EU PSICOLOGICO diante do corona pode ter diversas reações. Aí vai depender do preparo de cada um. O eu psicológico é um termômetro que oscila entre diferentes graus. Pode se manter estável e suportar a tensão sem perder o rumo ou pode desiquilibrar-se e causar reações fracas, moderadas ou graves. Dependendo do grau vai repercutir sobre  o tamanho da angústia, da ansiedade, dos medos. O emocional desestabilizado vai afetar tudo o resto. Quando ele estiver assim desestabilizado vai repercutir sobre o eu corpo e vai deixá-lo mais vulnerável. Vai encher a cabeça (racional) de medo, atiçar a imaginação que tenderá a dramatizar e tornar o vírus maior e pior do que é. O eu psicológico funciona como fator de equilíbrio ou desequilíbrio. Quanto mais sensível ele for, mais propenso a repercutir sobre a estabilidade dos outros aspectos do eu. O corpo fica mais exposto, o racional fica inibido e não pensa direito e o espiritual fica desnorteado. Talvez esse aspecto do eu seja o mais preocupante frente ao corona. Se estiver equilibrado o sujeito pode enfrentar com mais serenidade a situação e administrá-la melhor. Evita ataques histéricos, e permite o racional ajuizar melhor as atitudes que se deve tomar e o espiritual mais livre para contemplar. O eu psicológico é resultado de um processo que vem desde a infância. Em muitos casos sofreu influências negativas que não permitiram um desenvolvimento para a maturidade  afetiva. Neste caso o sujeito fica infantilizado em muitos aspectos mesmo na idade adulta continua reagindo como criança. Fica mais vulnerável diante de qualquer situação ameaçadora e tenderá a reagir impulsivamente levando a perda do autocontrole sobre as situações e gerar, nos casos graves, o caos, em outras palavras levar o sujeito a surtar!

O EU RACIONAL. O Eu racional é o que estabelece a relação com a realidade de modo realista e objetivo ou não. Aí depende do eu psicológico como está. O racional nos põe em contato com a realidade e nos ajuda a analisar a situação e tomar decisões refletidas. Possibilita dimensionar o tamanho do perigo e tomar as precauções necessárias. Pode indicar o comportamento mais seguro para a situação. O racional nos permite  olhar o presente e ver a gravidade do corona e assumir posturas sadias. Ele também nos coloca no futuro, permitindo ver ações que darão continuidade à vida depois do corona.

O EU ESPIRITUAL. Essa dimensão do eu está intimamente ligada aos demais aspectos do eu, porém se põe em outro nível. Permite relacionar-se com a dimensão invisível da vida, porem real! Ele nos conecta com os desejos da alma e possibilita a relação com Deus. Permite a contemplação mística da vida. Por ele se descobrem forças ocultas que dão sentido à  vida e faz suportar com paciência o sofrimento inevitável. Aceita a dimensão da cruz de cada dia e pode  relacioná-la com a cruz de Cristo e nesse sentido o próprio sofrimento se torna redentor. O exercício da oração traz efeitos benéficos e fortalece a coragem e a compreensão da necessidade do transcendente. Por ela se alcançam graças provindas de Deus. A oração crê na misericórdia de Deus e a implora com humildade. A oração desmistifica as pretensões de autossuficiência e cada um fica exposto a própria nudez.  O corona não tem muito espaço e fica relativizado. Aliás, o corona tem propiciado a muita gente uma redescoberta do lado espiritual adormecido e o colocado a serviço de um redimensionamento da vida.

Poderíamos acrescentar às dimensões do eu acima vistas, outros dois aspectos do eu. Aquele consciente e aquele inconsciente. O consciente diz respeito àquilo que vejo, percebo, analiso, interpreto e sei que está acontecendo. O inconsciente  é aquele que está presente em tudo, mas escondido. Ele tem poder de influenciar aquilo que acontece em nível consciente, nem sempre o faz, mas favorece a distorção da realidade quando vista como ameaçadora, levando o eu racional interpretá-la  mal. Ele é defensor do eu, porém, às vezes apela para umas malandragens enganadoras. Por exemplo, brinca com o “faz de conta” e o sujeito se deixa tapear. Diz o corona não é perigoso, e estimula o individuo a relaxar os cuidados ou pode ser o contrário, exagera no tamanho do perigo e bota o sujeito numa vigilância sufocante. O inconsciente tem mecanismos próprios que exercem influência sobre todo o “eu”. Claro ele não é só guardador de recalques, ele é também reservatório de possibilidades ainda não exploradas e dons ainda não usados. Consciente e inconsciente são realidades psíquicas presentes dia e noite em nós. Já aprendemos a conviver com eles automaticamente. Do consciente toda hora estamos em contato direto, do inconsciente recebemos sua influência cotidiana e não nos damos conta.

Bem está na hora de concluir. Vamos pôr em ordem as partes do nosso “eu” e deixá-lo holisticamente trabalhando suas relações com o Coronavirus, pois a pandemia ainda não terminou!

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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