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EVANGELHO DE LUCAS 24,13-35 (LEIA O TEXTO)

UMA VOLTA PARA CASA DEPOIS DE UMA IDA FRACASSADA!

O Evangelho de Lucas nos conta que dois discípulos de Jesus estiveram em Jerusalém e viram tudo o que lá aconteceu. Decepcionados voltam para sua aldeia Emaús.

No caminho vão conversando sobre os fatos vivenciados por eles e não conseguem entender o porquê daqueles acontecimentos! Desiludidos voltam para seu dia a dia, a mesmice de sempre. Estavam tão impressionados pelos fatos que não conseguem se desligar deles, ainda que nada entendessem. Em suas mentes havia muitas interrogações. Tinham alimentados esperanças e agora tudo voltou a estaca zero. Se questionam se vale a pena esperar? E as orações feitas no templo? E as ofertas de que valem?  A vida deles se resigna a voltar para casa e tocar a vidinha de sempre. Se lamentam que suas esperanças tenham ido embora “nós esperávamos”, mas já se passaram três dias e nada aconteceu!

É na hora que tudo parece ter voltado  à estaca zero  que uma nova história começa.

JESUS SE APROXIMA DELES…

De repente um desconhecido se aproxima dos dois! Caminha com eles e eles não o reconhecem! Estavam por demais ocupados com suas frustrações que não conseguem sair de seu mundo. O Estranho se aproxima e inicia um diálogo. “De que andais falando pelo caminho e por que estais tristes”? Duas perguntas. Uma aponta para a razão a outra para a coração. De que falam no caminho e não entendem? A razão deles não é capaz de entender o significado dos acontecimentos que vivenciaram. A versão que discutem não satisfaz suas expectativas. As explicações que têm não tiram deles a tristeza (coração abatido) refletida em seus rostos. Estão tristes e não sabem em quem esperar! O tempo passou e nada! Já faz três dias! Tudo parece em vão. Quem pode devolver a esperança? Ainda adianta ter fé?

Jesus entra na vida dos dois, como entra em nossa vida a partir da realidade de cada um. Ele entrou no desânimo dos discípulos, em seu vazio. Pergunta o motivo da sua tristeza. Eles reagem: “eles pararam com o rosto sombrio”.  A primeira resposta é não verbal. O rosto fala antes das palavras. “és tu o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu nesses dias?” a reação de Cleofas parece um pouco agressiva. Como? Voce é o único desligado. “não sabe o que aconteceu em Jerusalém? Começam a por sua angústia para fora. A história de Jesus faz parte da história deles e não percebem! Ao contar a sua história os discípulos recordam a história de Jesus.

Jesus reage com serenidade à provocação de Cleofas. Pede a ele que fatos aconteceram? “Quais”?  Cleofas coloca o ponto fundamental das suas conversas: “o que aconteceu a Jesus de Nazaré”. Cleofas dá a versão dos fatos segundo seu entendimento.  Jesus o escuta. Jesus vai transforar a história pessoal deles em história da salvação!

Depois disso Jesus começa por Moises e explica as escrituras e mostra que isso que aconteceu já estava previsto. Enquanto Jesus falava o coração deles começou a arder.  Uma compreensão nova dos fatos substitui a versão que tinham.

CHEGAM NA ENCRUZILHADA!

Na encruzilhada da estrada, chegou a hora da opção. Convidar ou não convidar para ficar com eles! Decidem: “fica conosco, pois já é tarde!”. Tinham caminhado uns bons trechos em sua revisão da fé. De uma fé interesseira à uma fé adulta, mais amadurecida. Quando começam a não mais se sentir autossuficientes, a graça encontrou lugar para agir. Abriram suas casas para acolher o forasteiro. E ali na fração do pão, o reconhecem e imediatamente despertam para a missão. Voltam a Jerusalém para contar o que lhes acontecera (dar testemunho).

EXPERIENCIA DA SALVAÇÃO

A experiência da Salvação ocorre nos momentos difíceis. Quando tudo parece fracassar, ali é o lugar propício dela acontecer. Enquanto nos julgamos salvos, auto suficientes, ou esperamos a salvação à nossa maneira, ela em geral não acontece. É no limite humano que Deus revela sua bondade e misericórdia salvadora. A salvação é dom gratuito de Deus, é graça. Ela nos alcança quando tudo o resto parece ter fracassado. Contudo é necessário reconhecer a necessidade dela e abrir o coração para acolhê-la. No relato dos discípulos de Emaus, os termos “caminhar/caminho” aparecem no início, no meio e no fim (vv. 13,15,17, 28, 32 e 35). Cleofas e o companheiro ainda não se reconhecem como “adeptos do Caminho” (At 9,2; 18, 25-26; 19, 9.23; 22,4; 24, 14.22). Precisam percorrer ainda pela estrada sendo acompanhados e formados, só depois fazem a experiência profunda e aderem ao Mestre e à sua missão.

ORAÇÃO:

Senhor Ressuscitado. Olha para nossa caminhada. Frequentemente andamos cabisbaixo porque não entendemos, não discernimos bem os fatos ao nosso redor. Somos muito autossuficientes, acreditamos apenas em nossos planos e forças e quando o fracasso vem, então nossa tentação é abandonar a missão e voltar para nossa vidinha. Divino forasteiro, vem caminhar conosco. Alcança-nos em nosso caminho e fale conosco. Desperta o que está adormecido em nós, abre nosso coração à tua palavra e que ela o faça arder, como fez aos discípulos de Emaús. Que a experiência de Ti em nosso coração nos encha de entusiasmo e nos anime a voltar ao encontro dos irmãos e compartilhar com eles a Tua presença em nossas vidas e na vida deles. Divino Salvador, caminha conosco, falando conosco, alimentando-nos com teu pão, fica sempre conosco, porque senão a tarde vem sobre nós e ficamos sem caminho, perdidos na noite, sem rumo. Divino Salvador manifesta para conosco tua salvação. Amém.

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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