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Reprodução

Nós  quarentinos, estamos ávidos para que os dias passem rápidos e esse tal corona pegue alguma carona e vá embora o quanto antes prá outro mundo porque o nosso tá cheio dele em todos os sentidos. Estamos cansando de ficar em casa!

Ficamos com um pé atrás,  apreensivos, se esse danado nos vai dar essa folga?! Por enquanto, não está nem aí com nossas queixas, continua fazendo estragos avassaladores, tem preferência por matar idosos, mas dá amostras de que não poupa ninguém, mesmo jovens. É um assassino perverso porque tira o ar (uma das poucas coisas que é de graça) dos pulmões das pessoas e as sufoca até morrer. Está expondo os médicos e enfermeiros que estão tentando salvar vidas, ao seu poder de fogo, contagiando-os também. Esse sr. Corona,  vou chamá-lo de sr porque está pondo  “respeito”!, tem caráter maldoso, não respeita raça, religião, nem cor, nem nada. É um narcisista puro porque não tem piedade de ninguém, faz todo mundo ajoelhar-se diante dele. Esse danado vai um dia pagar a conta no quinto dos infernos. É isso mesmo, porque quem faz os outros sofrerem sem merecer tem esse destino. Seu vírus cretino, quer aparecer mais que nossos presidentes. Nós já estávamos nos “acostumandos” com as injustiças cometidas em relação aos mais pobres, e agora vens tu meter mais veneno em nossas vidas, empobrecendo mais quem já era, porque tira o trabalho deles, e eles sem reservas vão alimentar-se de que? De vírus?  Agora quero ter uma conversa “tete a tete” com esse cafajeste.

Quanto tu queres para nos deixar sossegados? Qual é teu preço? Dinheiro te compra? Já sei tua resposta, mas saiba que estamos gastando muito dinheiro para te dar um fim. Seu penetra, não convidado, foi-te  dado o prazo de mais uns dias para nos deixar ir trabalhar fora de novo. Teu dia vai chegar, nós não desistimos enquanto tu não desapareceres do meio de nós. Teus dias estão contados … não precisa esperar para ver, pode ir embora antes, te dispensamos.

Deixe-me dizer outra coisa! Tu pensas que vai nos enlouquecer pelo cansaço, pois saibas que não, porque tu despertaste dentro de nós coisas adormecidas como a solidariedade, como a compaixão, como o cuidado uns dos outros. Tu fizeste até um bem, nesse  sentido, pois ficamos mais sensíveis e humanos uns com os outros, mas me nego a te dar os créditos disso, prefiro dizer que essas coisas estavam dentro de nós, um pouco esquecidas, é verdade, mas já nos pertenciam.

E saiba que nos tornando mais humanos, vamos estar mais fortes e unidos para combater parentes teus que queiram vir, no futuro,  se intrometer entre nós. Sabemos disso porque antes de tu vires, estiveram por aqui o seu ebola, seu h1n1 e outros tantos menos perigosos. Avise tua turminha que não se atrevam a vir nos molestar, pelo menos enquanto estiver fresca em nossa memória isso que está nos acontecendo. Pode acontecer que nós caíamos em nossos vícios anteriores e nos distraíamos de novo com nosso mundo individualista, capitalista (esses são vírus criados por nós!). Que Deus nos preserve dessa recaída. Temos fé  que depois dessa, vamos sair um pouco diferentes da situação. Já estamos planejando ser mais humanos em nossas relações,  essa experiência está nos ensinando a nos precaver melhor, renunciando a certas atitudes que cultivávamos entre nós de muita vaidade, de muita agressividade, de muita maldade, de muita exploração, de muito esbanjamento com coisas inúteis, de pretender comprar amizades dos outros com coisas, de substituir presença afetiva por fones de ouvido e ficar distantes, distraídos mesmo sob o mesmo teto. Se tu achaste que ias nos deixar doidos e esquecer da vida, pelo contrário, mexeste com nossos brios, agora é que nos agarramos a ela e vamos cuidar juntos melhor dela, não só da nossa, mas dos outros também, porque sabemos, unidos, somos capazes de coisas incríveis.

Vou te rogar uma maldição, sua praga! Que tuas próximas gerações nasçam estéreis para não se reproduzirem mais, esse é nosso último desejo em relação a ti. Vá pro teu mundo, não queremos teu endereço nem teu contato de WhatsApp e nos deixe com saúde e em paz!

Pe. Deolino Pedro Baldissera, sds
Pároco

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